
SANCTAE DOMUS PONTIFICIAE
GABINETE APOSTÓLICO DO
SANTO PADRE, O PAPA PIO IV
Homilia Dominical
XXXIII Domingo do Tempo Comum
Dia Mundial dos Pobres
No espírito de comunhão com toda a Igreja, a Prefeitura da Casa Pontifícia apresenta aos fiéis a homilia pronunciada hoje por Sua Santidade, oferecendo-a como alimento espiritual e ocasião de profunda reflexão neste tempo que antecede o Advento.
Caríssimos irmãos, hoje celebramos o trigésimo terceiro Domingo do Tempo Comum, já nos aproximando do Tempo do Advento. Também se celebra o Dia Mundial dos Pobres, pelo qual somos chamados a viver como pobres de espírito, ricos em Deus.
Canta o salmista: “Exultem na presença do Senhor, pois Ele vem, vem julgar a terra inteira. Julgará o universo com justiça e as nações com equidade.” A redenção do mundo vem e pertence unicamente a Cristo. A liturgia nos propõe uma visão um tanto escatológica, pela qual refletimos sobre nossas próprias ações. No Evangelho, Jesus dá orientações e apresenta uma finalidade voltada ao cuidado sobre como agimos. Antes, propõe a contemplação de algo físico e presente: a beleza do que há no mundo, mas alerta para a destruição de tudo. Depois, adverte sobre os que virão em seu nome para arrastar povos à perdição. Por fim, exorta-nos a permanecer firmes, apesar de todo mal que cairá diante de nossos olhos.
“Tudo será destruído...” Neste Jubileu, é necessário colocar nossa esperança em Cristo, pois Ele mesmo afirma que suas palavras já são um escudo e defesa diante dos inimigos. Se colocarmos nossa fé, amor e dependência nas coisas terrenas, estaremos fadados à perdição, pois tudo, por mais belo que seja, passa, e Deus permanece. São tantas crises, tantas influências maliciosas nos tempos atuais, que paramos e pensamos: “Ainda existe o bem?” Existe, e está em Deus. A sua palavra é a defesa diante de tantos falsos profetas em nosso meio. Sua palavra é refúgio contra os tantos lobos em pele de cordeiro infiltrados no rebanho. A contemplação dessa visão escatológica nos provoca a caminharmos rumo ao Céu. E, nesse exemplo, a pertencermos a Cristo e não ficarmos dependentes do que é passageiro. Aqueles que vêm em nome de Deus, mas que, na verdade, são como a palha citada na primeira leitura, estão diante de nossos olhos: não se trata apenas de pessoas, mas de ações — ódio, orgulho, soberba, desprezo. E a recompensa de quem promove esses malefícios, como diz o profeta, é o Abrasador “de queimá-los, diz o Senhor dos exércitos, tal que não lhes deixará raiz nem ramo”. Já a recompensa daqueles que permanecem firmes na fé, com a esperança edificada na palavra de nosso Senhor, agindo não na ociosidade da acomodação, mas vivendo no ardor do trabalho, como exorta o Apóstolo, é a comunhão com o Reino do Céu.
Nesse dia, em que também somos chamados a contemplar o Dia Mundial dos Pobres, podemos ver um exemplo de pobreza em nossos corações: colocar nossas vidas no que é eterno e não nos preocuparmos com o que é passageiro. No dia em que o Senhor vier, seremos todos iguais. Das oito Bem-Aventuranças, como dizia o honroso Dom Henrique Soares, esta é a principal: “Bem-aventurado quem é pobre diante de Deus.” Transmitamos o amor de Deus por nós, amando verdadeiramente o próximo; não nos preocupando com bens materiais, mas com aquilo que não é visto, porém permanece.
Portanto, coloquemos nossa fé, esperança e dependência no que é eterno, aclamando o Senhor em nossas palavras e ações, aguardando o dia em que o Juiz haverá de julgar-nos com justiça. Coloquemos, antes de tudo, nossas vidas em Cristo e, depois de tudo, vivamos eternamente com Cristo.
Que a reflexão oferecida pelo Santo Padre seja para todos nós fonte de claridade espiritual, de verdadeiro alento e de sólida perseverança na fé, ajudando-nos a viver
o Evangelho com autenticidade e generosidade
