VIA SACRA COM OS JOVENS
JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
Mariana - 2026
RITOS INICIAIS
ORAÇÃO INICIAL
A antiquíssima tradição da Igreja recomenda que a Via Sacra seja celebrada às sextas-feiras, em memória da Paixão do Senhor. Preferencialmente, deve iniciar em uma capela e seguir em direção à igreja principal ou matriz.
Se for o sacerdote ou o diácono, profere a oração trinitária traçando o sinal da cruz sobre o povo:
Pres.: Em nome do Pai e do Filho ✠ e do Espírito Santo.
℟.: Amém.
Pres.: O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco.
℟.: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.
O presidente da Celebração pode introduzir breves palavras sobre o rito.
Pres.: Meu Senhor Jesus Cristo, que seguistes, com amor infinito, o Caminho doloroso do Calvário, e aí morrestes, num patíbulo de infâmia, dai-me a graça de Vos acompanhar e de unir as minhas lágrimas ao vosso Sangue precioso... Tenho ardente desejo de consolar o vosso Coração, tão bom e tão amargurado pelos nossos pecados, e de me associar à vossa dolorosa Paixão e Morte... Quem me dera sofrer e morrer por Vós, que sofrestes e morrestes por mim!... Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a vossa graça, nunca mais tornar a ofender-Vos... Dignai Vos, meu querido Senhor, conceder-me as Indulgências com que o vosso Vigário enriqueceu este santo exercício, e recebei-as em satisfação dos meus pecados e em sufrágio das almas do Purgatório. – Ó Maria, Rainha dos Mártires, dai-me o amor e o sofrimento com que acompanhastes ao Calvário o vosso inocentíssimo Filho... Amém.
Após a isto, pode-se iniciar a procissão. O Cruciférario, juntamente das velas saem na frente, logo atrás vem o povo e por fim o celebrante.
VIA SACRA
PRIMEIRA ESTAÇÃO
Jesus é condenado à morte por Pilatos
℣.: Nosso Senhor Jesus Cristo, depois de ter derramado copioso Sangue na sua agonia do Horto e na cruel flagelação e coroação de espinhos, é condenado, por Pilatos, à morte afrontosa da cruz. Oh! Sentença iníqua e crueldade inumana! Para livrar-nos da condenação eterna, Jesus submete-Se com amor a essa crudelíssima condenação.
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Pilatos pergunta a Jesus: “Tu és o Rei dos Judeus?” Jesus responde: “Tu o disseste.” A multidão começa a acusá-lo, chamando-o de mentiroso e traidor. Pilatos pergunta: “Não dizes nada? Vê de quantas coisas te acusam!”
Leitor 2: A multidão, porém, grita: “Crucifica-O! Crucifica-O!” Pilatos então lembra que, pela Páscoa, era costume libertar um prisioneiro. E pergunta ao povo: “Quem quereis que eu solte: Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?” A multidão responde: “Barrabás!”
Leitor 1: Pilatos pergunta novamente: “E que quereis que eu faça com Jesus, o Rei dos Judeus?” A multidão responde: “Crucifica-O!”. Vendo que nada podia fazer e que a revolta aumentava, Pilatos lava as mãos e diz: “Estou inocente deste sangue. Tomai-O vós e crucificai-O.”
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Senhor, Pilatos assinou o decreto. Assinou o decreto que extinguia o Teu futuro. “Este ser humano deve morrer; ele não terá mais futuro”.
Comentarista: Muitos de nós jovens sentimos isto hoje, Senhor, que o futuro nos está a ser tirado. Dizem-nos que a vida está cheia de oportunidades, mas é difícil ver onde estão essas oportunidades quando o dinheiro não chega, quando não se consegue arranjar trabalho e quando ter acesso à educação é, na prática, muitas vezes impossível.
℣.: Senhor, mesmo quando Te condenaram à morte, Tu não Te deixaste ir abaixo. Explicaste a Pilatos que ele não teria nenhum poder sobre Ti se Deus não o permitisse. E, com o Pai a Teu lado, seguiste em frente, confiando no futuro. Ensina-nos a fazer o mesmo.
℣.: Oremos.
Senhor Jesus, agradecemos-Vos de todo o nosso coração o imenso amor com que aceitastes a morte para nos salvar. Concedei-nos a graça de julgar-nos severamente a nós mesmos e de chorar amargamente os nossos pecados, para não sejamos condenado à morte eterna no dia do tremendo juízo. Dulcíssimo Jesus, não sejais para nós Juiz, mas Salvador.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
A MORRER CRUCIFICADO, TEU JESUS É CONDENADO
POR TEUS CRIMES, PECADOR (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
SEGUNDA ESTAÇÃO
Jesus carrega a Sua Cruz
℣.: O Divino Salvador toma sobre seus ombros a Cruz que meus grandes pecados fizeram tão pesada. Oh! Com quanta resignação, com quanto amor Jesus abraça o opressivo madeiro no qual deseja morrer por nós. Não seguirás o teu Jesus, carregando a cruz da penitência e dos sofrimentos com paciência, submissão e amor?
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Os soldados conduziram Jesus para o pretório e lá despiram-no. Bateram-lhe com os chicotes e colocaram nos seus ombros um manto de púrpura. Na cabeça uma coroa de espinhos e uma cana na sua mão direita.
Leitor 2: Os soldados zombavam e gritavam: "Salve ó Rei dos Judeus! Salve ó Rei dos Judeus!"
Leitor 1: Como se isso não chegasse colocam-lhe com grande brutalidade nos seus ombros uma cruz. Jesus recebe a sua cruz. Como ela é pesada. Tanta dor e sofrimento. Jesus segura a cruz curvado, dobrado, vergado. É um peso, um grande peso.
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Puseram-Te às costas um tronco pesado de madeira. E já Te tinham torturado. Que violência, Senhor! Viveste num mundo violento e foste vítima dessa violência.
Comentarista: O mundo onde vivemos talvez não seja muito diferente. Guerras, atentados, tiroteios em massa mas também violência nos casamentos e nos namoros, abusos de crianças, bullying, abusos de poder, famílias onde se atiram palavras que são piores que pedras.
℣.: Puseram-te uma Cruz às costas mas Tu, Senhor, não Te deste por vencido. Onde encontraste a força para caminhar? Imagino-Te a dizer para Ti mesmo: “O amor vencerá sobre a violência”. Senhor, dá-me força para amar.
℣.: Oremos.
Amabilíssimo Jesus, dou-Vos graças pelo amor com que abraçastes a Cruz tão pesada pelas nossas culpas. Perdoai-nos, e dai-nos o espírito de humildade e fortaleza, para que abracemos sempre a nossa cruz com perfeita paciência, dizendo em todas as tribulações: Ave, ó Cruz bendita, única esperança!
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
COM A CRUZ É CARREGADO, E DO PESO ACABRUNHADO,
VAI MORRER POR TEU AMOR (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
TERCEIRA ESTAÇÃO
Jesus cai pela primeira vez
℣.: O Divino Redentor, fatigado do caminho, desfalecido pelo muito Sangue que corria das suas inumeráveis chagas, cai em terra, oprimido sob o enorme peso da Cruz. Abrem-se todas as suas feridas. Que dor para o inocente Jesus! Quão grave é a nossa culpa, que fez cair por terra o próprio Filho de Deus!
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Jesus segue o seu caminho por meio da multidão. Jesus cai. Os soldados puxam por Ele e gritam:
Leitor 2: Levanta-te! Não consegues andar?! Vamos lá! Depressa! De pé!
Leitor 1: Jesus levanta-se com muito esforço e continua o seu caminho.
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Desculpa, Senhor, não estou habituado a ver os meus heróis abandonados no chão com a boca suja de terra. Por que Te sujeitaste? É abandono demais; é solidão demais.
Comentarista: Tu, sozinho. É assim também que, por vezes, nos sentimos quando espero uma mensagem que não vem ou um abraço que não aparece. Às vezes, acho que é culpa minha, que não tenho jeito e que me fecho; outras vezes, acho que vivo num mundo egoísta onde cada um só pensa em si mesmo. Não sei, só sei que há muitos jovens sozinhos. Mesmo quando estão rodeados de gente.
℣.: Olho para Ti caído por terra. Imagino-Te a levantares a cabeça e a olhares para mim. Imagino-Te a dizer: “Caio contigo para te levantar comigo. Vá, põe-te de pé e avança. Vamos juntos.”
℣.: Oremos.
Meu Jesus, prostrado por nós em terra, nós Vos adoro na vossa profunda humilhação. Os nossos pecados Vos fizeram cair com tanta dor. Meu Jesus, misericórdia! Pelo Sangue que derramastes, caindo debaixo da Cruz, perdoai-nos, e dai-nos a graça de nunca mais cair em pecado mortal. Nós Vos suplicamos humildemente, pela dor que sentistes nesta primeira queda, que nos preserveis para sempre do pecado. Senhor, tende piedade de nós na hora da tentação.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
PELA CRUZ TÃO OPRIMIDO, CAI JESUS DESFALECIDO,
PELA TUA SALVAÇÃO (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
QUARTA ESTAÇÃO
Jesus encontra a Sua Santa Mãe
℣.: Profundíssima dor traspassa o Coração de Maria, vendo seu muito amado Filho tão desfalecido e ensanguentado. Ah! O Cordeiro Divino vai ser imolado! E que mágoa para Jesus, ver sua terna Mãe em tamanhas aflições e angústias! Que encontro dolorosíssimo! Teus pecados foram a causa dos enternecidos gemidos de Jesus e Maria.
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: No caminho do sofrimento, dá-se o encontro de Maria com o seu Filho. O seu coração é trespassado por uma lança ao ver o sofrimento de Jesus. Os seus olhos estão arrasados de lágrimas. Maria encontra-se com Jesus para o olhar nos olhos e dizer-lhe o quanto ama nesta hora tão difícil.
Leitor 2: Os soldados disseram: "Afasta-te mulher! Deixa-O continuar! Para traz! Vamos a caminho!"
Leitor 1: Maria não compreende o motivo porque todos ali á volta apontam o dedo a Jesus. O seu sofrimento á tão grande ao ver Jesus assim ferido e agredido por todos.
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Provavelmente, por entre os gritos da multidão, ouviste a voz da Tua mãe. Uma voz suave e inconfundível. “Meu filho. Estou aqui”. Procuraste o seu rosto. Encontraste-o sereno a dizer que “sim” com a cabeça. “Sim”. Era tudo o que precisavas de ver. Um sinal de confirmação. Um sinal que viesse do amor puro. Como a dizer: “Vai em frente, compromete-te, compromete-te com o Bem. Deus ajudará.”
Comentarista: Fala-me ao ouvido, mãe de Jesus. Fala-me de amor, fala-me de compromisso. De compromisso com o Bem. Não me deixes ficar sentado à espera. À espera do “momento ideal”, da pessoa ideal, do trabalho ideal, da Igreja ideal. Não me deixes ficar sentado a imaginar, enquanto o mundo avança sem mim e sem aquilo que eu teria para lhe dar. Maria, ajuda-me a abraçar a minha vocação.
℣.: Oremos.
Ó Jesus! Ó Maria! Fazei-nos sentir uma dor cada vez mais profunda e sincera dos nossos pecados, para que os chore, enquanto vivermos, e mereça na hora da morte encontrar-vos compassivos para conosco. Ó Maria, Mãe amorosíssima, pela espada que tão cruelmente vos feriu o Coração, rogai por nós, para que sigamos a Jesus no caminho da Cruz, e O encontremos enfim na glória do Céu.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
DE MARIA LACRIMOSA, NO ENCONTRO LASTIMOSA,
VÊ A IMENSA COMPAIXÃO (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
QUINTA ESTAÇÃO
Jesus recebe socorro de Simão Cirineu para carregar a Cruz
℣.: Os cruéis judeus, vendo Jesus desfalecido, exangue, com o corpo inclinado para a terra, os joelhos trêmulos e os olhos turbados, obrigam Simão Cirineu a ajudá-Lo a levar a Cruz. Não se compadecem de Jesus, mas temem que faleça antes de chegar ao Calvário, onde desejam crucificá-Lo. Oh! Crueldade inaudita!
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Jesus caminha entre a multidão.
Onde estão os seus amigos?
Onde estão aqueles que Jesus curou?
Onde estão aqueles a quem Jesus restituiu a alegria de viver e devolveu a esperança?
Ninguém se preocupa com Jesus.
Ninguém levanta uma mão para ajudar Jesus com a sua cruz.
Jesus cada vez está mais fraco e os soldados ao verem a sua fragilidade puxam do meio da multidão um homem, um tal Cireneu para ajudar Jesus.
Leitor 2: Os soldados disseram ao Cirineu: "Tu aí ajuda-O! Não vá morrer antes de chegar ao destino!"
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Os soldados obrigaram um homem chamado Simão a carregar a cruz de Jesus. Não lhe pediram, obrigaram-no. À força. Era um trabalhador rural. Nem sequer era romano. Não valia, não tinha direito a dizer se queria ou se não queria.
Comentarista: Hoje, o mundo também está cheio de exclusões e de intolerâncias. Há minorias não têm direito a falar ou mesmo a existir. Em muitos países, nem se pode praticar a religião que se entender. Há muitas pessoas que não podem exprimir livremente as suas ideias. Cada grupo quer impor a sua maneira de ver e afastar quem pense diferente. Por vezes até mesmo dentro da Igreja. Por vezes até mesmo dentro dos nossos corações.
℣.: Tu, Senhor, foste vítima da intolerância. Mas não Te deixaste tomar pelo ódio. E por isso podes ser ponte entre todos. Ensina-nos a ser construtores de pontes onde quer que estejamos.
℣.: Oremos.
Amabilíssimo Jesus, quanto pesa sobre os vossos ombros dilacerados a dura Cruz dos nossos pecados! Perdoai-nos e concedei-nos a graça de levar em penitência a cruz das tribulações e dores, e de aliviar, por vosso amor, os sofrimentos e as angústias dos meus irmãos oprimidos de aflições. Meu Jesus, dai-nos um coração contrito e abrasado de caridade.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
EM EXTREMO DESMAIADO, TEVE AUXÍLIO TÃO CANSADO
RECEBEU O CIRINEU (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
SEXTA ESTAÇÃO
Veronica enxuga a Face de Jesus
℣.: Uma devota mulher, chamada Verônica, vê Jesus em tão lastimoso estado, coroado de espinhos, com o rosto coberto de suor e sangue. Compadecida, rompe a turba dos judeus, e chega-se, reverente e piedosa, a limpar-Lhe a face sacrossanta. E o amorosíssimo Salvador paga-lhe a caridade, deixando impressa, na toalha, a imagem do seu santíssimo rosto.
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: O caminho é comprido e parece não ter fim. Ao encontro de Jesus aparece uma mulher de nome Verônica, que não suporta mais ver o quanto um ser humano é tão maltratado e torturado sem ter culpa alguma. Verônica avança na direção de Jesus e enxuga-Lo o rosto.
Leitor 2: Os soldados, porém, insistiam: "Afasta-te, deixa-O seguir! Vai-te embora!"
℣.: Verônica, mostrando a toalha para a multidão, exclamava: "Olhem… olhem para isto. Vejam… vejam a face do meu Jesus."
CANTO DE VERÔNICA
Comentarista: Senhor, uma mulher furou a multidão para limpar o Teu rosto e ficou com a Tua imagem gravada no seu lenço. Amar é assim, é deixar-se mover pelo rosto do outro, mesmo desfigurado. O rosto do filho que se ama, do amigo que se ama, do pobre que se ama, da mulher ou do marido que se ama. O rosto da Igreja que se ama, mesmo quando está desfigurada. Amar é deixar-se atrair pelo rosto do outro.
℣.: Mas nós, jovens, vivemos num mundo individualista. Disseram-nos mil vezes que o que mais interessava era a nossa imagem e a nossa auto-realização. Que tínhamos direito a ser felizes e que devíamos pensar primeiro em nós mesmos. E aqui estamos, autocentrados, cada um focado no seu celular, nos seus assuntos, na sua ilha, à espera de uma felicidade que não vem. Porque a verdadeira felicidade está em deixar-se atrair pelo rosto do outro.
℣.: Oremos.
Dulcíssimo Jesus, oferecemos-vos o nosso coração. Imprimi neles tão profundamente a vossa imagem ensanguentada, que sempre nos lembremos da vossa Sagrada Paixão, Vos amemos sobre tudo e Vos seja cada vez mais semelhante. Mostrai-nos na hora da tentação a vossa face amortecida, conspergida de sangue; esta vista tocante nos fará vencer todas as tentações.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
SEU ROSTO ENSANGUENTADO, POR VERÔNICA É ENXUGADO
EIS, NO PANO APARECEU (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
SÉTIMA ESTAÇÃO
Jesus cai pela segunda vez
℣.: Eis o amorosíssimo Salvador, o Filho de Deus, o Rei da eterna glória, oprimido de dor, atropelado dos empurrões que Lhe dão os algozes, caído em terra pela segunda vez. Oh! Que dolorosa queda! Quanto custaram ao meu Salvador as minhas recaídas no pecado! Minha alma, podes considerar esta queda tormentosa de Jesus e ainda continuar a pecar?
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Jesus volta a cair por terra. O caminho até ao Calvário é arrasador. Como é possível Jesus aguentar tanto sofrimento.
Leitor 2: Os soldados zombavam dizendo: Então vamos lá, levanta-te! Temos mais que fazer! Siga o caminho, vamos!
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Outra vez no chão, Senhor? Quando caímos uma vez, achamos que foi acidente, que foram as circunstâncias. Quando caímos mais vezes, ficamos com medo. Com medo de haver algum problema de fundo conosco. Um desequilíbrio.
Comentarista: Hoje em dia, Senhor, muitos de nós, jovens, temos cabeças complicadas. Sofremos ansiedades e depressões, problemas alimentares, burnout. Por vezes, questionamo-nos acerca de quem somos e se vale a pena viver. Às vezes, sentimo-nos mesmo em baixo, por terra. Pior do que ter um problema é ser um problema.
℣.: Olho para Ti caído no chão. Imagino-Te a dizer: “Caio contigo para te levantar comigo. Vá, procura ajuda, põe-te de pé e avança. Vamos juntos.”
℣.: Oremos.
Meu Jesus, nós nos compadecemos de Vós. Quanto sofreis por amor de mim, caindo com a Santa Cruz pela segunda vez, porque nós recaímos tantas vezes nos mesmos pecados! Meu Jesus, misericórdia! Nós vos pedimos perdão pelo vosso Sangue, e, pela dor que sofrestes nesta segunda queda, não nos deixeis recair em tentação. Ó Maria, rogai por nós, para que possamos perseverar no amor de Deus até a morte.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
OUTRA VEZ DESFALECIDO, PELAS DORES ABATIDO
CAI POR TERRA O SALVADOR (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
OITAVA ESTAÇÃO
Jesus fala às mulheres de Jerusalém
℣.: O Divino Redentor diz às filhas de Jerusalém que O seguem chorando: Não choreis sobre mim, chorai sobre vós e sobre os vossos filhos. Ó minha alma, ouviste a palavra do Senhor: "Chorai sobre vós"? Lembra-te de tuas culpas, que foram a causa dos padecimentos de Jesus, e chora-as sem cessar. Bem-aventurados os tristes, porque eles serão consolados.
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: No meio da multidão que está presente, há mulheres que choram á passagem de Jesus. Elas olham para Jesus e para todas as feridas que ele tem no corpo. As dores devem ser horríveis. Jesus apesar do cansaço e do esforço tem um momento para elas e dirige-lhes uma palavra de consolo.
Leitor 2: Jesus dizia: Mulheres, filhas de Jerusalém! Porque chorais por mim? Chorai antes por vós e por vossos filhos!...
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: No caminho, Senhor, cruzaste-Te com mulheres que choravam por Ti. “Não chorem por Mim – disseste-lhes – chorem por vocês e pelos vossos filhos”. Não querias lágrimas fáceis que não mudassem nada. Querias que pensassem em si mesmas e em que mundo iriam deixar para a geração seguinte, para o futuro.
Comentarista: Também nós nos interrogamos como será o nosso futuro neste planeta. Assistimos ao consumo descontrolado dos recursos da terra, à extinção de espécies, à devastação de florestas. Assistimos assustados às alterações climáticas e sentimo-nos muito inseguros em relação ao futuro. E tudo isto associado a estilos de vida desequilibrados que fazem com que alguns morram à fome enquanto outros fiquem doentes por comerem demais.
℣.: Senhor, ensina-nos a ter estilos de vida mais simples, mais solidários, mais conscientes das consequências, mais próximos do essencial. Mais parecidos contigo.
℣.: Oremos.
Piedosíssimo Jesus, não afasteis de nós, pobre pecador, o olhar da vossa infinita misericórdia. Quem dera que nossos meus olhos se arrasassem de lágrimas para chorar os meus pecados! Ó Jesus, dai-nos verdadeira contrição e fazei-nos sentir sincera compaixão do nosso próximo. Divino Salvador, tende piedade de todos os pecadores que choram as suas culpas. Ó Maria, refúgio dos pecadores, rogai por nós!
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
DAS MULHERES PIEDOSAS, DE SIÃO FILHAS CHOROSAS
É JESUS CONSOLADOR (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
NONA ESTAÇÃO
Jesus cai pela terceira vez
℣.: O amantíssimo Salvador, já de todo enfraquecido e sem alento, cai pela terceira vez em terra. Oh, que tormento atroz! Abrem-se de novo as feridas. Jesus se torce de dor como um verme pisado e esmagado, mas recolhe as últimas forças, levanta-se ainda uma vez para chegar ao lugar do suplício, onde vai morrer por mim.
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Jesus volta a cair pela terceira vez. A cruz nos seus ombros torna-se cada vez mais pesada. Mas não é o peso da cruz que o atormenta, mas sim o ódio que sente á sua volta, o ódio que sai do interior do coração dos homens.
Como pode Ele superar o peso de todo este ódio.
Como é possível ter forças para se levantar e continuar o caminho até ao calvário?
Como é possível manter-se de pé com todo aquele peso aos ombros?
E o coração de Jesus? Como estará o seu coração…
Ninguém compreende Jesus.
Ninguém olha para os seus olhos suplicantes a pedir ajuda.
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Pela terceira vez no chão, Senhor? Sinto medo por Ti, sinto medo de que não Te consigas levantar. Ou que caias de novo, mal Te ponhas de pé.
Comentarista: Talvez queiras chegar perto daqueles jovens que voltam a cair cada vez que se tentam levantar. Acusam-nos de serem fracos, de não resistirem à droga, aos vícios carnais, ao álcool. Acusam-nos de se refugiarem nos seus écrans ao ponto de ficarem viciados. Só não entendem que levantar-se possa exigir forças que eles já não têm. E uma fé que já perderam.
℣.: Olho para Ti caído no chão. Imagino-Te a dizer a cada jovem com uma dependência: “Caio contigo para que te levantes comigo. Vá, procura ajuda, põe-te de pé e avança. Comigo, desta vez, vais conseguir. Vamos juntos.”
℣.: Oremos.
Meu bom Jesus, Nós Vos adoro, com amor e compaixão, e Vos agradecemos as dores que sofrestes por nós. Não permitais que ainda uma vez me separe de Vós, caindo em pecado mortal. Oh não, Jesus, não mais pecar! Pelo muito que padecestes nesta terceira queda, perdoai-nos tudo quanto pequei por pensamentos, palavras e obras; e pela vossa fraqueza mortal fortalecei-me na minha fragilidade. Tende também piedade dos que por minha causa caíram em pecado; salvai-os pela vossa infinita misericórdia.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
CAI TERCEIRA VEZ PROSTRADO, PELO PESO REDOBRADO
DOS PECADOS E DA CRUZ (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
DÉCIMA ESTAÇÃO
Jesus é despojado de Suas vestes
℣.: O Cordeiro de Deus chega ao Calvário. Dão-lhe a beber vinho misturado com fel e, com sacrílega irreverência e crueldade desumana, despojam o Divino Salvador das suas vestiduras, renovando as suas doloridas Chagas, que de novo vertem copioso sangue. Oh! quanto pejo, quantas amarguras e dores sofre o Divino Filho da Virgem Imaculada pelos abomináveis excessos dos homens!
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Chegaram ao lugar das execuções. O lugar é chamado de ‘Golgota’ que quer dizer ‘lugar do crânio’. Jesus está sem forças, sem defesa e completamente esgotado. Tiraram-lhe as suas forças e a sua dignidade. Agora também lhe tiram as suas roupas.
Leitor 2: Olhem a sua túnica. Vamos dividi-la ao meio. O outro soldado disse: "Não, não a rasguemos. Vamos antes jogar e tirar á sorte para ver qual de nós é que fica com ela." Assim, se cumpriu a escritura no livro dos Salmos. Ao final, o soldado ganhador disse: "Ganhei, ganhei… é minha… a túnica é minha."
Leitor 2: "Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem!". Disse Jesus.
Leitor 1: Chegaram ao lugar das execuções. O lugar é chamado de ‘Golgota’ que quer dizer ‘lugar do crânio’. Jesus está sem forças, sem defesa e completamente esgotado. Tiraram-lhe as suas forças e a sua dignidade. Agora também lhe tiram as suas roupas.
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Despiram-te, Senhor, tiraram-Te a roupa. Olho para Ti, sereno e confiante na Tua verdade nua. Mesmo sem roupa não deixas de ser quem és porque nunca Te preocupaste em construir uma imagem de Ti mesmo. Tu na Tua humildade, Tu na Tua integridade. Tu na Tua verdade.
Comentarista: Mas nós vivemos numa terra de espelhos onde o que conta é a aparência, a imagem. Selfies e mais selfies. A tirania do corpo certo e do sorriso perfeito. Fotos de si mesmo nas redes sociais em poses cuidadosamente estudadas. Posts artificiais à espera dos likes dos outros. Sensação terrível de não podermos ser nós mesmos, de termos de nos vender para que gostem de nós e não ficarmos isolados. Narcisismos que, no fim, nos deixam sozinhos em ilhas distantes.
℣.: E Tu nu, igual a Ti próprio, sem vergonha de seres quem és. Não vivias para a imagem, mas para o Bem. Ensina-me, Senhor. Dá-me força para ser diferente, para não viver em função da imagem mas em fidelidade à minha consciência.
℣.: Oremos.
Clementíssimo Jesus, para nos restituirdes o vestido nupcial da graça, consentis que Vos dispam com tanta ignomínia e afronta para Vós. Concedei-nos chorar amargamente as nossas culpas e que nunca mais perca a graça da qual por vossa bondade me tendes revestido. Fazei que tenhamos uma vida pura, conservando o nosso coração limpo e a nossa alma sem mancha.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
DOS VESTIDOS DESPOJADO, POR ALGUNS MALTRATADO
EU VOS VEJO MEU JESUS (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO
Jesus é pregado na Cruz
℣.: Os verdugos mandam ao inocentíssimo Jesus que se estenda sobre a Cruz; e o Filho de Deus obedece aos mais vis pecadores, para ser por eles crucificado. Com agudos e penetrantes cravos traspassam-Lhe as mãos e os pés sacrossantos. Salta o Preciosíssimo Sangue aos braços dos carrascos. Todo o Santíssimo Corpo estremece; mas Jesus, sem lamentos, oferece suas agudíssimas dores ao Eterno Pai por meu amor.
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Chegou a hora do maior sofrimento… Os soldados encostam Jesus á cruz. Os seus braços são amarrados. As suas mãos e pés são pregados com grandes pregos que lhe rasgam a pele de um lado ao outro. Por cima da cabeça de Jesus colocam a inscrição “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”. Junto à cruz está Maria sua mãe e João o discípulo mais novo. O coração de Maria está desfeito em mil pedaços. Ela já não tem lágrimas nem forças para suportar tanto sofrimento.
Leitor 2: "Meu filho, o que te fizeram meu filho…" Dizia Maria.
Leitor 1: Pregado à Cruz, Jesus dizia: "Mulher, daqui em diante João é o teu filho. João a partir de agora eis aí a tua mãe."
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Um prego em cada pulso, um terceiro prego nos pés. Ficaste assim, preso. Ainda Te gritaram lá de baixo: “Não és o Filho de Deus? Desce da Cruz!”. Mas a Cruz não era uma situação em que por acaso estavas; era a consequência inevitável de não teres desistido de amar até ao fim. O confronto entre o amor e a violência do mundo.
Comentarista: Hoje muitas pessoas tentam desesperadamente fugir de situações desumanas. Fogem da guerra, da fome, da falta de água, das perseguições políticas. A sua casa deixou de ser o seu abrigo e passou a ser o lugar provável da sua morte. Tentam refugiar-se nalgum outro local do mundo, ao qual um dia possam vir a chamar de “casa”.
℣.: Preso na cruz, Senhor, dá ânimo a todos os jovens que têm de fugir para não perderem a vida. E a quem vive, confortável na sua casa, dá um coração parecido com o Teu.
℣.: Oremos.
Ó Jesus, amantíssimo Redentor, quão preciosa é nossa alma, pela qual quisestes sofrer tão terríveis tormentos! Pelo vosso Sangue, Vos suplico, não permitais que a entregue aos vossos inimigos pelo pecado mortal. Perdoai os pecados pelos quais traspassaram as vossas mãos e pés. Cordeiro de Deus, imolado por nós, dai-nos o vosso amor e perfeita paciência.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
SOIS POR MIM NA CRUZ PREGADO, INSULTADO, BLASFEMADO
COM CEGUEIRA E COM FUROR (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO
Jesus morre na Cruz
℣.: Jesus é crucificado. Oh! Quão dolorosa é sua agonia! Quanto Sangue corre da sagrada cabeça, das mãos e dos pés traspassados e de todo o corpo! Os pérfidos judeus ainda O insultam, vomitando blasfemias. Mas Jesus ora por eles, dizendo: "Meu Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem". Depois de três horas de agonia, exclama: "Meu Deus, meu Deus, porque assim me abandonastes!". E dizendo: "Meu Pai, em vossas mãos encomendo o meu espírito.", exala o último suspiro. Assim morreu o Filho de Deus por mim, pecador. E tu, minha alma, não O queres amar?
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Jesus é crucificado entre dois ladrões. Um deles zomba e diz: “Se és o Messias, desce da cruz e salva-te a ti mesmo e a nós.” Mas o outro o repreende: “Nós recebemos o castigo que merecemos, mas Jesus não fez mal algum.” Então, voltando-se para Jesus, pede: “Lembra-te de mim quando chegares ao teu Reino.”
Leitor 2: Jesus responde: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.” Depois, sentindo sede, Jesus continua seu sofrimento. Ao meio-dia, as trevas cobrem toda a região. E, às três horas da tarde, Jesus clama: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” E, entregando-se ao Pai, diz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. Tudo está consumado.”
Leitor 1: A terra treme, as rochas se abrem e todos ficam apavorados. Os soldados, reconhecendo a inocência de Jesus, dizem: “Este era verdadeiramente o Filho de Deus.” Jesus morre às três horas da tarde, na sexta-feira, entregando sua vida por amor a todos nós.
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: “Pai, em Tuas mãos entrego o Meu espírito”. Abandonaste-Te nos braços do Pai. Deste o último suspiro e morreste. E contigo morreram todas as palavras que não chegaste a dizer, todos os abraços que não chegaste a dar, todas as curas que não chegaste a fazer.
Comentarista: Parece um desperdício, Senhor! Quantas coisas boas não poderias ter feito em mais umas décadas de vida! E, no entanto, as Tuas palavras foram “Tudo está consumado”. Não ficou nada por realizar. Porque ali, na Cruz, deixaste-nos tudo o que era preciso para nos salvar: o amor puro, embora impotente e aparentemente inútil.
℣.: Hoje, só conta quem produz. Não contam os idosos, não contam as pessoas com deficiência, não contam os desempregados, não contam os sonhadores. E não contam as brincadeiras das crianças, tantas vezes obrigadas a trabalhar para trazer dinheiro ou a estudar mais e mais para um dia serem “verdadeiras vencedoras” no mercado de trabalho.
℣.: Oremos.
Filho de Deus, crucificado por nós, Vos adoramos e agradecemos os tormentos da vossa agonia e Morte. Quanto nos pesa de Vos haver crucificado com os meus pecados. Ó bom Jesus, lavai a nossa alma no vosso Sangue Preciosíssimo; fazei que Vos amemos cada vez mais, sofrendo tudo por vosso amor. Pela vossa Sagrada Morte, assisti-nos na última hora e abri-nos a porta do Paraíso. Ó Maria, Mãe das dores, rogai por nós, pecadores.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
SOIS POR MIM NA CRUZ PREGADO, INSULTADO, BLASFEMADO
COM CEGUEIRA E COM FUROR (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO
Jesus é descido da Cruz
℣.: O Sagrado Corpo de Jesus é despregado da Cruz e posto nos braços de sua angustiada Mãe. Maria Santíssima vê o seu muito amado Filho morto, todo desfigurado, coberto de chagas e ensanguentado. Ó minha alma, considera as chagas de teu Salvador e as lágrimas de tua desolada Mãe e não tornes a pecar.
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: José de Arimateia e dois homens desceram o corpo de Jesus da cruz. Maria sua mãe aproxima-se e toma Jesus nos seus braços. Não podemos imaginar o sofrimento de Maria ao ver nos seus braços o seu amado filho sem vida. Quantos beijos terá ela dado no rosto, nas mãos e nos pés do seu Divino Filho. Ao contemplar Jesus, Maria lembraria certamente o menino que teve nos seus braços no presépio de Belém.
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: Pietá. Jesus nos braços de Maria. Um filho no colo da sua mãe. A verdade mais pura do amor desinteressado. A Palavra que descansa no silêncio.
Comentarista: E nós perdidos num mundo saturado de palavras apressadas, de informação, de notícias, de publicidade, de interesses, em que já não sabemos o que é verdade e o que é mentira nem sabemos em quem acreditar!
℣.: Senhor, eu não tenho de saber tudo, eu não quero saber tudo. Quero apenas saber aquilo que interessa saber para ser uma pessoa melhor e criar um mundo mais humano. Dá-me um grande amor por tudo aquilo que no mundo é puro e verdadeiro e simples e humano.
℣.: Oremos.
Ó Maria, Mãe amorosíssima de meu Divino Redentor, também vós sofreis amargamente por nossos pecados. Pesa-nos profundamente, ó dolorosa Mãe, de ter derramado o Sangue de Jesus e de vos ter custado tantas lágrimas. Pela morte de vosso Filho e pelas vossas angústias, vos pedimos alcançar a graça de não pecar mais e de amar a Jesus com perfeito amor. Ó Maria, Mãe das dores, Consoladora dos aflitos, rogai por todos os que choram desamparados.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
DO MADEIRA VOS TIRARAM, E À MÃE VOS ENTREGARAM
COM QUE DOR E COMPAIXÃO (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO
Jesus é sepultado
℣.: O Corpo Santíssimo de Jesus é depositado no sepulcro por Maria Santíssima e piedosos fiéis que a acompanharam no enterro de seu divino Filho. Considera, ó alma, o Coração de Maria, todo oprimido de amargura e dor. Não te compadeces dos magoados suspiros de tua lastimada Mãe? Jesus descansa em sepulcro novo, assim quer repousar em teu coração novamente purificado pela graça.
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: Jesus é retirado dos braços de Maria. É embrulhado num lençol e sepultado num túmulo. Ali fica o corpo de Jesus. É o fim. Não se pode tocar, não se pode falar, não se pode ouvir. Jesus desapareceu. Onde está aquele que anunciava a Palavra da Vida. O Senhor da Vida morreu. Tudo acabou, tudo desapareceu.
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: O cemitério. O fim. Quando a pedra rolou sobre a entrada do túmulo, parecia que tudo tinha definitivamente acabado. Parecia, Senhor, que Tu e o Teu caminho do amor não tinham sido senão uma ilusão. Uma esperança enganadora num hipotético triunfo do Bem sobre o mal. Parecia que tudo tinha terminado, que tínhamos de ser realistas, que o mundo afinal era mesmo dos espertos e não daqueles que sonham com o Bem, como Tu.
Comentarista: Tantas vezes na nossa vida parece não haver futuro. Não vemos qualquer luz ao fundo do túnel. Ficamos com medo de olhar para a frente. Não conseguimos tomar decisões, não vemos por onde a história possa continuar, só vemos o caminho bloqueado por pedras grandes diante de nós.
℣.: É aí que precisamos de ouvir a voz de Maria. A falar-nos dos fins que são inícios, da aparente morte de uma árvore no Inverno quando apenas se está a preparar para florir na Primavera. Dos sepulcros que são portas para a ressurreição.
℣.: Oremos.
Ó Jesus, depositado no sepulcro, Vos adoramos com todos os Anjos e Santos. Perdoai-nos os pecados que abriram tão profundas chagas em todo o vosso Corpo. Dulcíssimo Coração de Jesus, sede Vós, de hoje em diante, o meu amor. Vinde e repousai em nosso coração pela Sagrada Comunhão, e concedei-nos a graça de Vos ser fiel até a morte. Ó Jesus, pela vossa Sagrada Paixão e Morte, tende piedade de nós. Ó Maria, Mãe das dores, rogai por nós!.
Após um breve momento de silêncio, se for oportuno, inicia-se o canto.
NOS SEPULCRO VOS DEIXARAM, SEPULTADO VOS CHORARAM
MAGOADO CORAÇÃO (BIS)
PELA VIRGEM DOLOROSA VOSSA MÃE TÃO PIEDOSA
PERDOAI-ME MEU JESUS (BIS)
DÉCIMA QUINTA ESTAÇÃO
A Ressureição de Jesus
℣.: O Corpo Santíssimo de Jesus é depositado no sepulcro por Maria Santíssima e piedosos fiéis que a acompanharam no enterro de seu divino Filho. Considera, ó alma, o Coração de Maria, todo oprimido de amargura e dor. Não te compadeces dos magoados suspiros de tua lastimada Mãe? Jesus descansa em sepulcro novo, assim quer repousar em teu coração novamente purificado pela graça.
℣.: Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
℟.: Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Leitor 1: No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo e encontrou a pedra retirada. Ao olhar para dentro, percebeu que o corpo de Jesus não estava mais ali. Chorando, perguntou: “Onde está o corpo do meu Senhor? Para onde o levaram?” Então, ouviu uma voz perguntar: “Mulher, por que choras?”
Leitor 2: Maria respondeu que haviam levado o corpo de Jesus. Então Jesus a chamou: “Maria!” Ela reconheceu sua voz e exclamou: “Mestre, és Tu?” Jesus havia ressuscitado! A morte não tinha vencido. Ele estava vivo e trazia novamente a esperança aos seus discípulos.
Leitor 1: Jesus nos deixa um novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” E promete: “Eu estou convosco até o fim dos tempos.” A morte não tem a última palavra.
Após um momento de silêncio, prossegue:
℣.: O sepulcro está vazio. A pedra foi retirada e aquilo que parecia ser o fim tornou-se um novo começo. Parecia, Senhor, que tudo tinha terminado na cruz, mas ao terceiro dia a vida venceu a morte. A esperança que parecia perdida renasceu. Tu ressuscitaste e mostraste ao mundo que o amor de Deus é mais forte que o pecado e a morte.
Comentarista: Tantas vezes na nossa vida também pensamos que tudo terminou. Diante das dificuldades, das perdas e dos sofrimentos, podemos deixar de acreditar que existe um novo caminho. Mas a Ressurreição nos ensina que Deus pode transformar até os momentos mais difíceis em oportunidades de recomeço.
℣.: É aí que precisamos ouvir a mensagem de Jesus Ressuscitado: não tenhais medo! A cruz não foi o fim. O sepulcro não foi o fim. A morte não teve a última palavra. Cristo vive e nos chama a viver com esperança, fé e alegria, anunciando ao mundo que a vida sempre vence quando colocada nas mãos de Deus.
℣.: Oremos.
Senhor Jesus, ressuscitado e glorioso, obrigado porque, pela vossa Ressurreição, vencestes a morte e nos destes a esperança da vida eterna. Aumentai a nossa fé, fortalecei a minha esperança e ensinai-me a viver sempre no vosso amor. Que jamais nos afastemos de Vós e que, diante das dificuldades, nunca percamos a confiança na vossa vitória.
RITOS FINAIS
BÊNÇÃO FINAL
(Oração sobre o Povo)
Em seguida, faz-se a despedida. O sacerdote, voltado para o povo, abre os braços e diz:
Pres.: O Senhor esteja convosco.
℟.: Ele está no meio de nós.
Pres.: O Senhor esteja convosco.
℟.: Ele está no meio de nós.
Pres.: Ó Deus, derramai benigno o espírito de arrependimento, para que mereçam alcançar por vossa misericórdia os prêmios prometidos aos penitentes. Por Cristo, nosso Senhor.
℟.: Amém.
Pres.: E a bênção de Deus todo-poderoso, Pai e Filho ✠ e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre.
℟.: Amém.℣.: Ide em paz.
℟.: Graças a Deus.