SANCTAE DOMUS PONTIFICIAE
GABINETE APOSTÓLICO DO
SANTO PADRE, O PAPA PIO IV
Homilia Dominical
Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo
N o espírito de comunhão com toda a Igreja, a Prefeitura da Casa Pontifícia apresenta aos fiéis a homilia pronunciada hoje por Sua Santidade, oferecendo-a como alimento espiritual e ocasião de profunda reflexão neste encerramento do Ano Litúrgico.
Irmãos aqui reunidos, a Igreja celebra neste dia a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Também marca o fim do ano litúrgico, quando nos aproximamos do Tempo do Advento. A Igreja caminha como peregrina de esperança. Como nos mostrou o Evangelho no domingo passado, tudo passa e Deus permanece. Hoje, ao contemplarmos a realeza de Cristo, recordamos que a palavra “Rei” vem do latim Rex, Regis, significando dirigir, guiar ou governar. Assim, podemos compreender este título em três caminhos.
Primeiro, vemos no Evangelho a Crucificação de Jesus. E um detalhe nos chama a atenção: “Acima dele havia um letreiro: ‘Este é o Rei dos Judeus’” (Lc 23,39). Na coroação de espinhos, Ele é zombado: “Ave, Rei dos Judeus!” (Mt 27,29). Aquele título — verdadeiro — é usado como escárnio. Os soldados romanos escrevem o motivo da condenação, mas, na verdade, zombam dos judeus e do próprio Cristo. Não muito diferente de nossos tempos: o Rei do Universo ainda é ridicularizado. Muitos profanam Sua imagem, Sua Igreja, Sua mensagem. Assim, a difamação do Reino permanece tão viva quanto antes.
Depois, consideremos as palavras daquele que se arrepende: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reinado” (Lc 23,42). O Reino dos Céus é para os pecadores que buscam arrependimento. Pelo Batismo e pelo Sangue de Cristo, somos feitos herdeiros do Reino. A atitude do Bom Ladrão refuta a zombaria do primeiro ladrão — ele defende Jesus, não com violência, mas com humildade e fé. Assim, percebemos que nenhum pecado é obstáculo quando existe arrependimento e entrega verdadeira ao Cristo Rei.
Por fim, olhemos para o Advento, tempo em que nasce o Menino Jesus. Ele nasce numa manjedoura, simples, “pois não havia lugar para Ele na hospedaria” (Lc 2,7). Antes de proclamá-Lo Rei do Universo, proclamemo-Lo Rei do nosso coração. Que nossos corações sejam a manjedoura que O acolhe. Como rezamos: “Fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.” Ou cantamos: “Coração Santo, Tu reinarás.” Os romanos O chamaram “Rei dos Judeus”, mas não O acolheram. Já São Dimas colocou o Reino em primeiro lugar — e dele herdou o Paraíso. Antes de anunciarmos Cristo ao mundo, deixemos que Ele reine plenamente em nossas vidas.
Que a reflexão oferecida pelo Santo Padre seja para todos nós fonte de claridade espiritual, de verdadeiro alento e de sólida perseverança na fé, ajudando-nos a viver
o Evangelho com autenticidade e generosidade.